Entrevista sobre gênero

Jo Hay. Shania. Óleo sobre tela. 2015

Jo Hay. Shania. Óleo sobre tela. 2015

— Olá Reinaldo. Sou Jéssica, do Coletivo Lupus. Estou fazendo uma pesquisa sobre gênero. Posso te fazer umas perguntas?

—Diga lá.

—Como você se identifica quanto ao gênero?

—Me identifico como homem.

—Você quer dizer cis hétero?

—O que é cis?

—O contrário de trans.

—Então sou cis. Nunca fiz operação pra troca de sexo. Nasci com um pênis, que mantenho até hoje. E me identifico como hétero, apesar de já ter beijado homem em um desafio. Como recompensa beijei três mulheres.

—Er… certo.  E como você enxerga o binarismo de gênero?

—O que é isso? Gênero pra mim é coisa de filme, de música… ainda não me acostumei com esse negócio de gênero pra gente. Pra mim tem homem e mulher, e um monte de coisa que muda essas. Por exemplo, sapatão é mulher que parece homem e quer comer mulher com cintaralho. Bicha é homem com jeito de mulher e que gosta de dar o rabo. Gay é homem que transa com homem mas não tem jeito de mulher. Lésbica é mulher que gosta de mulher e dá tesão em homem. E por aí vai.

—Então você discorda da liberdade pessoal de se identificar com um gênero, ou mesmo nenhum dos dois? O que pensa dos gender-fluids ou outro tipo de não-binarismo?

—Acho que tem um monte de esquisito por aí.  Nunca falei com gente estranha sobre a vida sexual delas, pra falar a verdade. Elas me chamam a atenção por outros motivos, geralmente. Uma vez vi um cara que tinha peitos, mas barba também. Ele me vendeu pão. Um sujeito desses não é esquisito? Veja lá! Tem tanta coisa nesse mundo que não duvido que haja gente meio-homem meio-bode. Até já vi reportagem sobre uma mulher que queria virar cabra e até pastava.

—Você se considera machista?

—Me considero macho apenas. Gosto de coisa de macho: futebol, cerveja, bacon. Puta também. Que macho que não gosta de uma puta, não é mesmo? Existe esse gênero, macho?

—Bem… é… se você se identifica assim, é seu direito.

—Show.

—Mas é meio sexista.

—Gosto de sexo mesmo.

—Er… Muito obrigado pelo seu tempo, Reinaldo.

—De nada, Jéssica. Foi um prazer. Sucesso na sua pesquisa. Posso dar um aperto de mão como despedida?

—Um aperto de mão profissional não tem o menor problema.

Bruno Laze

Vive numa torre de vidro, na beira de um lago que muda de aparência todos os dias, sob o hipnotismo de nuvens, neblina e luz solar.

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